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A Síndrome de Burnout ou a Falta de Humanização nos Nossos Hospitais?

 

Nas condições actuais de desenvolvimento do nosso sistema de saúde é comum assistirmos a actos e atitudes que se configuram como total ou parcial insensibilidade, falta de profissionalismo, falta de humanismo e outros valores por parte dos profissionais da saúde em relação aos pacientes que supostamente devem assistir e atender.

Começaríamos este artigo com algumas perguntas que o próprio texto responderá:

- Ao que se deve a insensibilidade de certos profissionais da saúde em relação ao sofrimento dos pacientes e dos seus familiares?

- Que efeito tem a sobrecarga, a pressão de trabalho e as longas jornadas de trabalho dos profissionais de saúde no seu desgaste emocional e humano?

- Há conflito de papéis e de interesses na relação profissional-paciente?

- A falta de suporte e de valorização da classe pela sociedade e do estado, propicia a indiferença destes profissionais perante o sofrimento e a morte dos pacientes?

- Que factores podem estar na base da Síndrome de Burnout em profissionais da saúde dos nossos hospitais?

A Síndrome de Burnout (SB) é uma doença ocupacional e que, segundo a OMS, predomina sobre os profissionais da saúde como: médicos, enfermeiros, assistentes sociais, dentistas e fisioterapeutas, além de professores, policiais, bombeiros e demais profissionais que estão sujeitos ao contacto diário com o público e que têm grande carga emocional.

Entre os diferentes factores que podem comprometer a saúde do trabalhador, o ambiente de trabalho é apontado como gerador de conflito, quando o indivíduo percebe o hiato existente entre o compromisso com a profissão e o sistema em que está inserido.

Essa síndrome, conceptualizada como estresse laboral crónico, tem como principais características o desgaste emocional, a despersonalização e a reduzida satisfação pessoal ou sentimento de impotência do trabalhador, que ocorre quando o indivíduo não possui mais estratégias para o enfrentamento das situações e conflitos do trabalho.

Burn, em inglês, significa queimar, out, é algo fora, exteriorizado. O Burnout é caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos e psíquicos, consequentes da má adaptação ao trabalho e com intensa carga emocional e pode estar acompanhado de frustração em relação a si e ao trabalho.

A expressão burnout, serve para designar aquilo que deixou de funcionar por exaustão de energia, constitui actualmente um dos grandes problemas psicossociais, despertando interesse e preocupação por parte da comunidade científica e das empresas, devido à severidade das suas consequências, quer ao nível individual, quer ao nível organizacional. De facto, o burnout sendo um estado de esgotamento, decepção e perda do interesse pelo trabalho, produz sofrimento no indivíduo e tem consequências sobre o seu estado de saúde e o seu desempenho, pois passam a existir alterações pessoais, comportamentais e organizacionais.

Esta síndrome acomete, geralmente, os profissionais que trabalham em contacto directo com pessoas, sendo predominante nos profissionais de saúde, o burnout afecta os enfermeiros, em diferentes partes do mundo e em diversos contextos de trabalho, levando-os a desenvolver sentimentos de frustração, frieza e indiferença em relação às necessidades e ao sofrimento dos seus utentes e familiares.

Acredita-se que, se os enfermeiros conhecerem as características, consequências e estratégias de prevenção do burnout, poderão ter uma maior satisfação laboral e prestar cuidados de melhor qualidade e humanismo aos utentes.

A escolha do tema advêm da necessidade de se  abordar o fenómeno, visto que tem se manifestado muito nos últimos tempos nas nossas unidades hospitalares onde se verifica cada vez mais uma ausência de humanismo na prestação de serviços aos utentes derivada de demandas excessivas, que diminuem a qualidade do trabalho, de longas jornadas de trabalho, numerosos turnos, baixa remuneração, convívio constante com o sofrimento, a dor e a morte  de pessoas e a constante exposição ao risco.

O grande problema social relacionado à Síndrome de Burnout em trabalhadores da saúde é o facto de se encontrarem profissionais a trabalhar  de maneira fria e impessoal, sem a dedicação e o envolvimento necessários. Isto pode causar uma diminuição da realização profissional que pode até culminar com a desistência deste profissional. Ou seja, há a possibilidade dos serviços de saúde apresentarem no seio dos seus colaboradores um elevado índice de absenteísmo. Este aspecto pode levar a custos com substituições, necessidade de novas contratações e quebra da rotina assistencial.

Os profissionais da saúde podem estar mais susceptíveis ao Burnout, uma vez que experimentam uma dualidade de papéis e enfrentam uma série de exigências por parte de seus empregadores e chefias, dos pacientes e de si próprios. A Síndrome de Burnout é ainda desconhecida por grande parte dos profissionais da saúde. É necessária uma maior divulgação, pois se os profissionais desconhecem as suas possíveis manifestações e causas, não podem encontrar formas efectivas de tratamento, bem como medidas de prevenção e na maior parte das vezes não dão conta que estão afectados por este mal.

Portanto, um estudo sobre o desgaste crónico físico e psicológico sofrido pelos trabalhadores da saúde de uma unidade hospitalar desperta o interesse de investigadores deste fenómeno por se tratar de um ambiente propício para o desenvolvimento da síndrome e das suas consequências negativas tanto para a assistência aos pacientes, como também para a saúde do profissional envolvido. A continuidade de pesquisas em relação à saúde do trabalhador poderá fornecer dados que elucidem outros factores de risco específicos que desencadeiam o desenvolvimento do desgaste e que poderão dar suporte a uma nova estruturação de estratégias preventivas contra este mal que afecta grande número de profissionais da saúde.

 

Amílcar Inácio Evaristo, Ph.D.

Biólogo e Psicólogo

Especialista em Educação para a prevenção de drogas e promoção de saúde

Professor Associado da Universidade Agostinho Neto-ISCISA (Instituto Superior de Ciências da Saúde) de Luanda

Consultor do Senhor Secretario de Estado da Ciência e Tecnologia

 

 

Fonte imagem: http://saudeexperts.com.br/wp-content/uploads/2015/01/stress-profissional-da-saude_mini.jpg

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Museu Virtual de Biodiversidade de Angola – Atlas de Mamíferos rumo à produção e exportação de dados de diversidade biológica de Angola

A biodiversidade de Angola é ainda pouco conhecida. Cada cidadão pode colaborar para o crescimento deste conhecimento por meio da plataforma de museu virtual desenvolvida: www.museuvirtual.co.ao.

Todos os dias, cidadãos e turistas registam fotograficamente a biodiversidade de todo o Mundo. Esta valiosíssima informação, encontrando-se dispersa, não é útil nem para a ciência nem para as comunidades em geral. Com o objectivo de proporcionar uma plataforma que permita a estes cidadãos partilhar os registos fotográficos, surgiu o Projecto Atlas de Mamíferos de Angola (primeiro subprojecto do Museu Virtual de Biodiversidade em Angola), que resulta de uma cooperação entre o Grupo Herbário do ISCED-Huíla e a ADU (Animal Demography Unit) na Universidade de Cape Town - África do Sul. Este projecto foi financiado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia no âmbito do programa de cooperação bilateral Angola-África do Sul.

Este projecto lançou uma plataforma WEB para a recolha de informação sobre biodiversidade de mamíferos em Angola: www.museuvirtual.co.ao. O Museu Virtual de Biodiversidade de Angola está também preparado para receber registos históricos ou bibliográficos, inicialmente de mamíferos e posteriormente de outros grupos animais e vegetais.

O projecto pretende posicionar-se ao nível de outras iniciativas como o Virtual Museum da África do Sul ou o Map of Living da Australia e, posteriormente, integrar projectos globais de biodiversidade como o Map of Life dos Estados Unidos da América ou Global Biodiversity Information Facility (GBIF). Todos estes projectos de sucesso têm em comum uma lacuna de informação sobre o território angolano. Por este motivo, o Museu Virtual de Biodiversidade em Angola, tornar-se-á essencial para a comunidade científica, para a comunidade angolana e servirá também de auxílio às entidades competentes para a criação de políticas de preservação e conservação.


Trabalho apresentado, em forma de poster, na 4a Conferência Nacional sobre Ciência e Tecnologia Luanda, 9 - 11 de Setembro de 2015.

 

David Elizalde Castells
Mestre em Geomática
Investigador na área de Bioinformática
ISCED-Huíla, Angola
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