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A violência doméstica contra a Mulher e as suas implicações psico-sociais

A família é a primeira instituição social, é o lócus natural da existência humana, que congrega e tem o ónus da formação do ser humano em termos afectivos , de estruturação da personalidade e do desenvolvimento psicológico.

Por ser a primeira instituição social que o individuo integra, a família vai constituir-se num micro sistema, onde cada membro ocupa uma posição e desempenha um papel que reflecte a sua organização estrutural e funcional. A ideia de família remete-nos a um espaço de afectividade, harmonia e protecção dos seus membros onde a mulher é a “pedra angular”

Do ponto de vista psicológico a agressão contra a mulher no seio familiar constitui um verdadeiro drama porquanto afecta toda a sua estrutura e propicia a sua desintegração, provocando um sofrimento incomensurável para todos os seus membros incluindo para o agressor.

Na maior parte dos casos as vítimas sofrem em silêncio escondendo os seus sofrimentos à sociedade, facto que causará traumas que ficarão recalcados, como ensina a psicanálise, no inconsciente de quem sofre.  Deste ambiente nascerão e desenvolver-se-ão seres física e psicologicamente afectados que, fruto dos traumas que carregam, apresentarão distúrbios como a dislexia (dificuldades de leitura) disortografia (dificuldades de desenvolvimento das habilidades de escrita) discalculia (dificuldades em desenvolver habilidades de cálculos e interpretação de símbolos matemáticos) e de dislalia (dificuldades de articulação das palavras e distorção dos fonemas)

Em função de tudo isto a mulher sente-se desvalorizada, desprestigiada, com baixa auto-estima e auto-valorização, com dificuldades de integração social, insegura e vivendo um ambiente permanente de desconforto psicológico.

Apesar dos grandes esforços desenvolvidos pelos órgãos do estado na criação de leis e normas reguladoras do comportamento no seio das famílias, a mulher continua a ser a vitima de constantes agressões físicas e psicológicas muitas das quais gerando traumas para toda a vida e afectando todos os restantes membros da família.

Apesar de apenas em 2010 a violência doméstica ter passado a ser tipificada como crime e um grave problema social, fruto de uma cultura fortemente enraízada em todo o território nacional, o fenómeno não é novo,   vem de muito longe e perdura desde as profundezas dos tempos. A violência doméstica continua a ser um dos grandes flagelos da nossa sociedade e não ocorre somente com pessoas pobres e de baixo nível educacional e/ou económico havendo relatos de famílias abastadas e “respeitadas” cujo quotidiano é de todo o tipo de violência doméstica.

A mulher tornou-se no ente mais frágil deste ciclo de violência que interfere directamente no seu desenvolvimento integral. Sendo a mulher a base para a formação e desenvolvimento das famílias e, em última análise, da sociedade tendo ainda em conta que a mesma é o garante da perpetuação da espécie humana e, em função disso, da própria existência da humanidade urge tomarem-se posições que concorram para a sua protecção mais eficaz garantindo-se desta maneira a estabilidade psicológica, material emocional e afectiva das famílias e, concomitantemente, a construção de uma sociedade mais equilibrada.  

Bibliografia

  1. Amílcar I. Evaristo Estratégia Pedagógica de Educação  Para a Prevenção de Drogas (Havana,Tese de Doutoramento 2014)
  2. H. Andrew, John D. Delamaer e Daniel J. Myrs Psicologia Social. P. 334-335.
  3. Linda G. Reis, produção de monografias da teoria a prática, o método educar pela pesquisa 3ª edição.
  4. O cidadão, a família e a igreja no combate contra a violência doméstica, relatório dos workshops provinciais (2013-2014)
  5. Portal da Angop, www.angop.co.ao
Amílcar Inácio Evaristo
Doutor (Ph.D.) em  Biologia e Psicologia
Linha de Investigação: Psicologia, saúde e qualidade de vida
Contactos: 923670797
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Frequência de Mutações associadas à Resistência às Drogas Antirretrovirais e Variabilidade Genética do VIH em Grávidas recentemente Diagnosticadas em Luanda-Angola

A determinação da prevalência de resistência primária para terapia antirretroviral em diferentes lugares do mundo é de extrema importância no monitoramento de epidemiologia molecular e pode orientar o tratamento inicial do paciente em uma determinada área geográfica.

Este trabalho teve como objectivo determinar a frequência de resistência primária aos antirretrovirais e descrever a variabilidade genética do VIH-1 em grávidas recentemente diagnosticadas para o VIH nas maternidades Lucrécia Paim e Augusto Ngangula em Luanda-Angola.

Amostras biológicas de 57 grávidas diagnosticadas para o VIH e inseridas no Programa de Transmissão Vertical (PTV), foram colhidas entre Novembro de 2008 a Janeiro de 2009. Trinta e cinco (35) das cinquenta e sete (57) amostras (61,4%) foram sequenciadas e uma mutação associada com resistência aos inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos foi detectada. Além disso, duas mutações associadas com resistência aos inibidores da transcriptase reversa de não-nucleosídeo também foram detectadas.

Mutações primárias associadas com inibidores de protease (PI) foram encontradas. Subtipos A1, C, D, F1, G, H, 13 CRF, CRF 37 e outros mosaicos foram detectados. Concluiu-se que a presença de resistência primária nessa população de grávidas virgens de tratamento foi baixa, porém com alta variabilidade genética.

Trabalho apresentado em poster no IIIº Congresso da CPLP sobre VIH-SIDA e ITS em Março de 2010 em Lisboa-Portugal. Apresentação Oral na IIª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, no Painel IV-Saúde Pública em Outubro de 2011 em Luanda-Angola.

Luanda, 8 de Dezembro de 2015

Autores: Emingarda Castelbranco, Edvaldo Souza, Ana Cavalcanti, Angélica Martins, Luiz Alencar e Amilcar Tanuri

Emingarda Patrícia André Félix Castelbranco, Directora Nacional de Regulação e de Transferência de Tecnologia, Ministério da Ciência e Tecnologia, Luanda-Angola
Licenciada em Biotechnologia Aplicadapela University of Western Cape (UWC), Africa do Sul
Mestre em Saúde Materno-Infantil com enfâse para Biologia Molecular em 2010 pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira em Perbambuco-Brasil
Investigadora na área de Biologia Molecular para Vírus
T. + +244 923 619 841 / +244 993 619 841
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Diversidade da Fauna de Hymenoptera (Abelhas e Vespas) em Angola

 

Em Angola há uma lacuna de conhecimento na região sul de África no que diz respeito à diversidade de Hymenoptera (não Formicidae: abelhas e vespas). Pretende-se compilar em formato digital a informação existente e recolher informação científica contemporânea que sirva de auxílio à criação de políticas de conservação.

Cerca de um terço da alimentação humana depende, directa ou indirectamente da polinização por animais, sobretudo abelhas. Flores bem polinizadas produzem frutos de melhor qualidade, peso e sementes em maior número. 

A nível mundial, tem sido documentado o declínio de populações de polinizadores devido à destruição ou alteração do meio ambiente, uso de pesticidas, parasitas, doenças e introdução de espécies exóticas. É necessário prever o impacto que alterações climáticas e degradação ambiental terão sobre as populações de polinizadores de forma a criar políticas de conservação eficientes.

Foram compilados e georreferenciados um total de 1350 registos, dos quais 856 se referem a abelhas sendo que apenas dois foram colhidos após 1975. Angola sofreu um período de guerra civil que contribuiu para o êxodo de especialistas e diminuição de centros de investigação, motivo pelo qual, poucos são os registos colhidos após 1975. Os resultados da revisão bibliográfica realizada sugerem que existe necessidade urgente de realizar um inventário da fauna de Hymenoptera de Angola, particularmente de abelhas, conhecidas como polinizadores essenciais de cultivos e plantas selvagens, bem como de vespas que desempenham um papel importante nos agro-ecossistemas por actuarem como agentes de controlo biológico.

Neste momento, está a decorrer na Tundavala-Huíla, um estudo relativo à “Fauna de abelhas selvagens e seus parasitóides naturais”. Têm sido realizadas colheitas em diferentes províncias do país e a informação de colecções históricas está a ser compilada e georreferenciada. Toda a informação recolhida será integrada no projeto “Atlas de Hymenoptera”, um sub-projecto do Museu Virtual de Biodiversidade de Angola.

Os resultados deste projecto serão essenciais para a criação de políticas de conservação e gestão de território eficientes e, ao mesmo tempo, serão vitais para a comunidade científica, nacional e internacional, educação ambiental e turismo. Agradecemos à organização SASSCAL, Southern African Science Service Centre for Climate Change and Adaptive Land Use pelo financiamento deste projecto.

 

Bibliografia

1.STEFFAN-DEWENTER, I.; POTTS, S. G.; PACKER, L. Pollinator diversity and crop pollination services are at risk. Trends in Ecology & Evolution, v. 20, n. 12, p. 651–652, 2005.

2.KLEIN, A.-M. et al. Importance of pollinators in changing landscapes for world crops. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, v. 274, n. 1608, p. 303-313, 2007.

3.http://museuvirtual.co.ao  

Trabalho apresentado, em forma de poster, na 4a Conferência Nacional sobre Ciência e Tecnologia, Luanda-Angola, 9 - 11 de Setembro de 2015. 

Sara Fernandes
Licenciada em Ciências Biomédicas
Investigadora na área de Conservação Animal
SASSCAL – ISCED Huíla
Lubango
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O gosto pela Matemática começa em casa

A Matemática tem a fama de ser o “bicho de 7 cabeças”. As pessoas detestam a Matemática, pela grande complexidade que ela parece ter. Em boa verdade, o gosto pela Matemática nasce de um bom estímulo. É como quem diz, tudo depende do primeiro amor. O primeiro amor pela matemática, neste caso, nasce dos pais, em casa, nas coisas da vida, do dia-a-dia.

Um dos conselhos aos papás e mamãs, que aqui fica, com base nos argumentos do Professor Jorge Ricardo em “O Método de ser bom aluno, Bora lá”, (Clube do Livro SIC), passa pela prática, desde cedo, da disciplina da Matemática nas questões do dia-a-dia.

Um livro recente, “Matemática em Família”, de  José Robalo e Carlos Grosso (Porto Editora, 2012), ajuda, de forma didática a conseguir tal desiderato. Deixamos aqui algumas dicas:

- Estimule a contagem de objectos, ensinando conceitos como “o dobro de”, “o triplo de”;

- Chame atenção para a forma geométrica de determinados objectos: bola, armário, por exemplo;

- Peça que conte dinheiro para a compra de determinado artigo e pergunte, antes, qual o troco que irão receber;

- Pratique a tabuada;

- Explique e faça perguntas sobre tabelas ou gráficos que surjam no dia a dia;

- Explique na prática o conceito de fracção a partir de algo que terá de ser repartido por alguns membros da família (laranja, maçã, por exemplo).

“Daqui a 100 anos não importará o tipo de carro que conduzi, o tipo de casa em que vivi, quanto dinheiro tinha guardado no banco, nem que roupas eu vesti. Mas o mundo poderá ser um pouco melhor por eu ter sido importante na vida de uma criança.” (Anónimo)

 

Alexandre Cose

 

 

 

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