Reportar comentário

O País vem manifestamente fazendo um esforço muito rigoroso, consistente e persistente em matéria de ciência, tecnologia e inovação. No entanto, o mesmo só encontrará plena justificação e impacto em termos de desenvolvimento nacional desde que o financiamento permita aos investigadores, grupos, instituições e à sociedade como um todo traduzir na prática o que está plasmado nas políticas públicas.
Nesse sentido, queríamos corroborar o reconhecimento feito nesta entrevista de que “A implementação destes documentos é bastante boa, mas está a ser afectada negativamente essencialmente pela falta de recursos financeiros para dar vazão à implementação das acções, dos projectos e programas estabelecidos para suprir os problemas da sociedade e também que visam reforçar o próprio SNCTI”.
Realmente, o problema de financiamento, mais do que um problema do sector, das instituições ou dos investigadores, é um desafio nacional, porque a investigação cumpre uma função social imprescindível.
Há algum tempo, num encontro doutro sector, um responsável afirmava que não tem alocado recursos para a investigação porque ainda há problemas básicos por resolver. Esta visão da ciência como um luxo a que só podemos permitir-nos quando há um excedente de riqueza é também responsabilidade de cientistas que se limitam a publicar em revistas indexadas com alto factor de impacto, sem atenderem aos problemas de desenvolvimento socioeconómico prioritários, nomeadamente do local e do país onde se encontram. Na realidade, a ciência serve também (ou principalmente) para gerar riqueza, encontrar e implementar soluções para os problemas socioeconómicos – incluindo os problemas básicos das populações – mas isso só é possível quando existe financiamento para suportar “direccionadamente” (e controlar) a investigação que responda às efectivas necessidades do País e obedeça às políticas públicas.