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Workshop Sobre Financiamento de Projectos - UAN

A Universidade Agostinho Neto (UAN) em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, realizam nos dias 26 e 27 de Outubro um Workshop sobre Financiamento de Projectos-Programas Internacionais de Financiamento, no Hotel de Convenções de Talatona-HCTA, a partir das 09h00. O acto de abertura será presidido pela Ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Professora Doutora Maria do Rosário Bragança Sambo.

O evento é promovido pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), com os seguintes objectivos:

  • Reforçar o alinhamento de projectos às políticas de investigação e prioridades definidas;
  • Dar a conhecer os programas de financiamento internacionais existentes;
  • Motivar a apresentação de candidaturas a financiamentos;  
  • Contribuir para o aumento da capacidade institucional de atrair financiamento a partir de fontes alternativas.

O Workshop sobre Financiamento de Projectos, tem como público-alvo: Directores de Centros de Estudos e Investigação Científica, Vice-Decanos para Área Científica, Chefes de Departamentos de Ensino e Investigação das Instituições de Ensino Superior e Directores Gerais Adjuntos das Instituições de Investigação Científica, e Desenvolvimento.

Com a realização do Workshop espera-se:

  • Maior divulgação de fontes externas de financiamento de projectos;
  • Aumento da possibilidade de captação de financiamento de fontes internacionais;
  • Diversificação de fontes de financiamento para acções de investigação científica, tecnológica e de inovação;
  • Incremento da produção científica e tecnológica.

Secretários de Estado do Ensino Superior e da Ciência, Tecnologia e Inovação Foram Apresentados

 

Ocorreu hoje a cerimónia de apresentação dos novos Secretários de Estado do Ensino Superior e da Ciência, Tecnologia e Inovação. O Secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio Adolfo Alves da Silva, disse que são vários os desafios para a área, por se tratar da qualificação do capital humano ao mais alto nível, de modo a garantir a sustentabilidade da investigação e do desenvolvimento científico e tecnológico do país. Já o Secretário de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Domingos da Silva Neto, frisou os desafios concernentes à competitividade para impulsionar a investigação científica.

Por outro lado, a Ministra do Ensino Superior, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Bragança Sambo, referiu que a intenção é neutralizar práticas como favorecimento por apadrinhamento, fraudes, corrupção que fazem com que haja débil preparação dos estudantes. De acordo ainda com a ministra, este será um trabalho a ser desenvolvido com as instituições de ensino superior a nível nacional e com a comunidade para que cada cidadão conduza a mudança que se pretende. Quanto a reformulação das regiões académicas, referiu ser um aspecto estruturante do ensino superior que vai levar a cabo, chamando todos os actores do subsistema para juntos darem as respostas necessárias.

Maria do Rosário Sambo adiantou, em relação a melhoria das condições de trabalho dos docentes e a carreira profissional, que existe um projecto do Estatuto da Carreira Docente muito detalhado, resultante de um processo de auscultação, como uma ferramenta a utilizar.

O Ministério do Ensino Superior Ciência e Tecnologia de Inovação tem como uma das apostas o combate das práticas ilegais no sistema de ensino superior e promover o mérito, informou nesta terça-feira, em Luanda, a titular da pasta.

 

Fonte: Angop

Ministérios do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia Fundem-se

Os ministérios do Ensino Superior e o da Ciência e Tecnologia fundiram-se num novo ministério denominado Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação. Contudo, salienta-se que esta não é a primeira vez em que os sectores do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia são agrupados num único ministério, pois tal já tinha acontecido no Governo que resultou das eleições de 2008.

A médica Maria do Rosário Bragança Sambo, actual Reitora da Universidade Agostinho Neto (UAN), foi no dia  de 28 de Setembro – Dia da UAN, nomeada Ministra do novo ministério, pelo Presidente da República e Titular do Poder Executivo João Lourenço. No cargo de Reitora desde Agosto de 2015, a Professora Maria do Rosário Bragança Sambo é Licenciada, desde 1983, em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto. É especialista em Neurologia desde 1997 pelo Serviço de Neurologia do Hospital de Egas Moniz (Lisboa – Portugal) e da Ordem dos Médicos de Portugal. É Doutorada em Medicina (2010), ramo de Genética, com a defesa da tese sobre “Susceptibilidade genética à malária cerebral em crianças angolanas”, no Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras, Portugal) e na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Foi Decana da Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, em Benguela (2011-2015). Com o trabalho sobre “Susceptibilidade genética à malária cerebral em crianças angolanas” obteve dois prémios: prémio Pfizer 2010 para a investigação clínica atribuído pela Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e o prémio de investigação biomédica pela Ordem dos Médicos de Angola, em 2011. Interessa-se particularmente por estudos clínicos e genéticos sobre a malária. É responsável pela coordenação de dois projectos da Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, designadamente “Rastreio neonatal da Drepanocitose e aconselhamento genético a casais de risco no Hospital Central de Benguela” e “Malária falciparum em grávidas na província de Benguela: as lesões placentárias, a resposta imunológica e os marcadores de susceptibilidade genética à infecção planetária”. É autora e co-autora de várias publicações científicas em revistas indexadas, bem como do livro Um olhar sobre as doenças médicas na gravidez – Casos Clínicos (Benguela, Outubro 2013). Publicou ainda "E Assim Vivi Benguela – Fragmentos de uma vida (memórias)" (Mayamba Editora, Luanda, 2017, 90 páginas).

A sua nomeação coincidiu com a realização da Conferência Científica da Universidade Agostinho (CCUAN2017), que decorreu de 27 a 29 de Setembro, no Hotel Victória Garden, sobre o tema central “Investigar para o desenvolvimento de Angola: situação actual e desafios“, no âmbito das Jornadas Agostinho Neto Setembro 2017, comemorativas dos 95 anos do Dr. António Agostinho Neto, Primeiro Reitor e Patrono da UAN e Primeiro Presidente da República  e do Dia 28 de Setembro – Dia da Universidade Agostinho Neto, jornadas por ela coordenadas, tendo sido igualmente a Presidente da Comissão Organizadora da Conferência, que reuniu mais de 650 participantes, entre docentes, investigadores, estudantes da UAN e de outras Instituições de Ensino Superior (IES) do país, púbicas e privadas, e professores convidados de Moçambique, Portugal, Cabo-Verde e Brasil.

A ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação apontou como prioridade da sua gestão a capacitação dos recursos humanos para melhor cumprimento das tarefas do sector. Por outro lado, a nível do ensino superior deverão ser introduzidas modificações, com vista à melhoria da qualidade do ensino, bem como à criação condições para que a ciência, tecnologia e inovação contribuam para o desenvolvimento socioeconómico e cultural do país.

 

 

Fontes: 

https://www.uan.ao/reitora-da-universidade-agostinho-neto-nova-ministra-do-ensino-superior-ciencia-tecnologia-inovacao/

http://www.governo.gov.ao/VerNoticia.aspx?id=33551

A Universidade e a Construção do Pensamento Crítico

 

 

Começo este artigo socorrendo-me de duas citações de eminentes figuras da história universal:

“Quando todos pensam da mesma maneira, é porque ninguém está a pensar”.  (Walt Lippmann)

“Reserve o seu direito de pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar”. (Hipátia de Alexandria)

Um dos primeiros filósofos a usar a expressão "Critical Thinking" como título de um livro de lógica foi Max Black (1946). Outros autores preferiram títulos como "A arte de raciocinar", "Lógica prática", "Lógica aplicada" e muitos outros títulos, ou usaram ainda a expressão "Lógica Informal". O pensamento crítico tem hoje como objectivo evitar as pressões sociais que levam a estandardização e ao conformismo, assim, o pensador crítico procura entender como reconhecer e atenuar ou evitar distintos equívocos aos quais é submetido todos os dias. 

O pensamento crítico foi sempre uma pedra angular no caminho de desenvolvimento da humanidade: o pensamento crítico apareceu muito antes de que a escola tivesse sido inventada e está na base da própria civilização. Neste sentido, o interesse pelo estudo do pensamento, como objecto de investigação, não é uma ideia recente. Para Dewey, o verdadeiro precursor do pensamento crítico do século XX, o desenvolvimento do pensamento crítico deve ser objectivo fundamental da educação.

 A juízo da Professora Doutora Arlinda da Conceição Francisco, docente da ISCED Sumbe que defendeu a sua tese de doutoramento sobre o assunto (Pensamento Critico), “pensar criticamente implica seguir a linha das evidências até onde elas levem a pessoa a ter em conta todas as possibilidades, confiar mais na razão do que na emoção, ser precisos, considerar toda a gama de possíveis pontos de vista e explicações, balancear os efeitos das possíveis motivações e prejuízos, estar mais interessados em encontrar a verdade do que de ter a razão, não rechaçar nenhum ponto de vista ainda que sejam impopulares, estar conscientes de todas as atitudes individuais, actos e acções para impedir que influam nos juízos pessoais e da geopolítica identitária e cultural”, nos desafia a uma interação consciente, lúcida e criativa. As soluções de ontem, e até as de hoje, têm procurado responder, com cada vez maior dificuldade, às questões complexas que enfrentamos. Experimentamos hoje, porém, oportunidades únicas de desenvolvimento técnico e científico e de encontro entre todos os seres humanos.

Para Guzmán e Sánchez (2006), a noção de pensamento crítico é um conceito multidimensional que incorpora vários elementos: intelectuais (raciocínio), psicológicos (auto consciência e disposições), sociológicos (contexto socio-histórico), éticos (moral e valores) e filosóficos (ontológico).

Tendo como alicerce o conceito de Educação como processo continuado de autonomia e do sentido da responsabilidade, de solidariedade e do respeito pelo alteridade e de intercâmbio de saberes e de culturas, é seu dever contribuir para a formação de cidadãos que pensam de forma profunda e consciente nos planos tanto pessoal e científico, como nos da afectividade e aprendizagem, da participação cívica e dos desafios da solidariedade. 

Do mesmo modo, o pensamento crítico passa certamente por "dar a nossa opinião" mas isso não é suficiente. Podemos perfeitamente dar a nossa opinião e não estarmos de modo algum a pensar de modo crítico, na verdade, basta ouvir alguns dos nossos políticos e os nossos grandes "intelectuais" a falar na televisão ou na rádio para assistir a esse espetáculo degradante. 

Segundo Desidério Murcho “o pensamento crítico é o pensamento que sabe usar os instrumentos argumentativos à nossa disposição, que são disponibilizados pela lógica formal e informal. Pensar criticamente é saber sustentar as nossas opiniões com argumentos sólidos e não cometer falácias nem basear as nossas opiniões em jogos de palavras e em maus argumentos de autoridade e abuso de poder”. 

A filosofia e o pensamento crítico são a nossa melhor defesa contra a superstição. Perante as afirmações temerárias dos astrólogos, de alguns líderes religiosos e de alguns políticos, a filosofia e o pensamento crítico dão-nos instrumentos para reflectir sistemática, rigorosa e claramente, de modo a determinarmos se isso que eles dizem é ou não realmente sustentável. 

A filosofia ajuda-nos a encontrar essas respostas, precisamente. Este é apenas um exemplo; há muitos mais, como os problemas relacionados com a pobreza no mundo, com os refugiados, com a ecologia e o ambiente. 

A filosofia e o pensamento crítico implicam a tolerância e o respeito, que tanta falta faz no mundo contemporâneo. A filosofia e o pensamento crítico exigem uma postura de cordialidade atenta, pois temos de escutar cuidadosamente os argumentos das outras pessoas para, juntos, encontrarmos argumentos melhores e soluções mais adequadas. 

Em Angola, mais do que nunca, estamos a precisar do exercício de consciência critica. Consciências capazes de denunciar fanatismos, delírios e histerismos. Consciências capazes de anunciar outras e novas alternativas. Consciências bem informadas, capazes de propor estratégias adequadas de actuação na realidade quotidiana.

Cabe a Universidade assumir o papel de cultivadora, de alimentadora de criticidades para que possam surgir consciências criticas. Olhando mais de perto precisamos de começar, talvez antes de mais, por uma auto consciência critica. A auto consciência crítica é a base, o princípio e o dinamismo de qualquer consciência social.

A consciência crítica surge e desenvolve-se a partir de um paradigma ou de um ponto de referência. O paradigma inspira a observação, a percepção, a compreensão, e alia-se à crítica de uma realidade. O paradigma constitui-se da filosofia, da ideologia e de todo conjunto de valores culturais de uma pessoa. Ele estabelece o lugar de onde a consciência vê, percebe, fala e critica. Por isso, a consciência critica não é uma conquista, nem um facto dado, nem um bem adquirido, mas ela é uma atitude e um comportamento que se refazem e se renovam a cada momento. 

Mais do que ter consciência critica, é preciso ser consciência crítica. Ser consciência critica, portanto, não é fixar-se em uma perspectiva, mas mergulhar no movimento que conduz as múltiplas direções para captar-lhes o espectro que fornece a maior abrangência possível dos acontecimentos e revele a velocidade com que os mesmos se sucedem.

Os historiadores, mostram-nos factos, onde a consciência critica não teve espaço. O Nazismo e o Fascismo e o Comunismo fracassaram, segundo uma ética histórica, porque lhes faltou a consciência critica. Essas correntes, mostraram, porém, a sua força; a força do fanatismo e do histerismo e da brutalidade. 

O pensamento crítico é um sistema aberto, transversal a todos os campos do saber, que potencia a formação de cidadãos que pensam de forma profunda e consciente nos planos científico, intelectual e cívico. Tendo como base a convicção fundamentada de que existe uma relação directa entre o estudante que pensa criticamente e a aprendizagem de novos conhecimentos a níveis profundos, deve ser propósito da Universidade levar cada estudante a:

- Entender que o complexo processo de pensar criticamente faz parte de tudo o que fazemos e se baseia em competências como a observação, ou a leitura e escrita atentas;

- Tomar consciência da importância de estar munido de critérios bem definidos quando procura e gere informação, de maneira a obter resultados mais fiáveis;

- Reconhecer as diferentes estratégias de pensamento crítico e de resolução de problemas no contexto de diversas disciplinas e variados receptores;

- Avaliar a qualidade da argumentação e da evidência de acordo com os contextos em que surgem;

- Reflectir e optar com base em informação plural, cada vez mais acessível e em maior quantidade;

- Utilizar a escrita, a leitura e a expressão oral de modo a contribuir para o seu desenvolvimento enquanto interveniente em contexto académico;

- Desenvolver transversal e profundamente, e apresentar publicamente, uma ideia ou uma lógica de argumentação com base na análise cuidadosa da evidência.

 

Amílcar Inácio Evaristo, Ph.D.

Biólogo e Psicólogo

Professor Associado da Universidade Agostinho Neto-ISCISA (Instituto Superior de Ciências da Saúde)

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