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Vírus Zika no Sémen e Espermatozoides

 

Um estudo recente revela que, após a infecção, o vírus Zika permanece no esperma até seis (6) meses. Num trabalho publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, os investigadores para além de confirmarem a longa permanência do vírus Zika no esperma (mais de 130 dias ou mais de quatro (4) meses), mostram também a sua presença no interior dos espermatozoides. 

Este estudo é o resultado da colaboração entre investigadores de instituições francesas, nomeadamente do Inserm (Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale), do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), do Hospital Universitário de Toulouse III - Paul Sabatier e do Centro Hospitalar Universitário (CHU) de Toulouse.

Neste estudo, os cientistas relatam o caso de um homem de 32 anos de idade retornado de Guiana Francesa (departamento ultramarino de França na América do Sul) com sintomas sugestivos de infecção pelo vírus Zika: febre ligeira, erupções cutâneas, dores musculares e articulares. O vírus Zika foi detectado no plasma e na urina do paciente dois (2) dias após o aparecimento dos sintomas. Foram recolhidas 11 amostras de esperma, 10 de sangue e 5 de urina e analisadas durante 141 dias.

Após a análise, verificou-se o vírus Zika em todas as amostras até o 37º dia. Adicionalmente, detectou-se o vírus apenas no esperma, onde permanece por mais de 130 dias, enquanto o paciente se sente bem. Este resultado foi confirmado noutros dois (2) pacientes, aos quais o vírus permaneceu no esperma de 69 a 115 dias. Actualmente, os factores que influenciam nessa variação de período de um indivíduo para o outro ainda são desconhecidos. Após o diagnóstico feito, os pacientes foram aconselhados a ter ralações sexuais protegidas.

A equipe de investigadores analisou ainda o esperma do paciente e examinou com diferentes técnicas de microscopia os espermatozoides. "Nós detectámos a presença de vírus Zika em cerca de 3.5% do interior do espermatozoide do paciente", explicou Guillaume Martin-Blondel, investigador do Inserm no Centro de Fisiopatologia de Toulouse Purpan (Inserm / CNRS / Université Toulouse III - Paul Sabatier) e médico de Doenças Infecciosas e Tropicais ao serviço  do Hospital Universitário de Toulouse.

Os investigadores explicam que no caso de outros vírus sexualmente transmissíveis, como o HIV, o vírus permanece "colado" à superfície do espermatozoide. Pelo que no contexto de uma fertilização in vitro, é assim possível "lavar" os espermatozoides de pacientes infectados pelo HIV, enquanto que este procedimento parece, portanto, excluído para os espermatozoides de pacientes positivos para vírus Zika. Resta determinar o carácter "activo" do vírus Zika presente nos espermatozoides, bem como a capacidade de os espermatozoides transmitirem a infecção (o vírus está também presente fora do espermatozoide, no sémen).

Em conclusão, a análise deste caso tem implicações significativas na prevenção da transmissão sexual deste vírus, cujos modos permanecem até hoje desconhecidos. Estas observações também levantam muitas questões relativas à necessidade de incluir investigações do vírus Zika em doações de espermatozoides nos centros de fertilidade.

 

Autores

Jean Michel Mansuya, Elsa Suberbielleb, Sabine Chapuy-Regauda,b, Catherine Mengellea, Louis Bujand, Bruno Marchouc, Pierre Delobelb,c, Daniel Gonzalez-Duniab, Cécile E Malnoub, Jacques Izopeta,b, Guillaume Martin-Blondelb, c

a Laboratoire de virologie, Institut Fédératif de Biologie, CHU Toulouse, Toulouse, 31059, France

b Centre de Physiopathologie Toulouse-Purpan, Université de Toulouse, CNRS, INSERM, UPS, Toulouse, France

c Service des Maladies Infectieuses et Tropicales, CHU Toulouse, France

d Groupe de Recherche en Fertilité Humaine (Human Fertility Research Group), CECOS, Centre Hospitalier Universitaire Paule de Viguier, Université de Toulouse, UPS, Toulouse, France 

 

 

Texto de divulgação original publicado pelo CNRS (em françês):

http://www2.cnrs.fr/sites/communique/fichier/2016_09_29_cp_zikaspermato.pdf (em francês.)

 

Artigo original (em inglês): 

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S147330991630336X

http://dx.doi.org/10.1016/S1473-3099(16)30336-X

 

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Malária: Consumo de Açúcares Vegetais pelos Mosquitos Influencia a sua Transmissão

 

Estudo realizado por investigadores do IRD (Institut de Recherche pour le Developpement, França), do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique, França) e do IRSS (Institut de Recherche en Sciences de la Santé, Burkina Faso) revela que fontes naturais de açúcar contidos nas plantas e frutos consumidos pelos mosquitos influenciam na transmissão da malária.  Estes resultados, que abrem novas perspectivas na luta contra esta doença, foram publicados a 4 de Agosto na revista PLOS Pathogens.

A malária, doença parasitária mais disseminada pelo mundo, é responsável por mais de 430.000 mortes por ano, sendo 90% delas no continente africano. Causada por um parasita, o Plasmodium falciparum, a doença é transmitida aos seres humanos através dos mosquitos fêmeas (chamados vectores) do género Anopheles que se alimentam de sangue (humano e animal) e de açúcares vegetais de fontes naturais, como o néctar de plantas.

Os recentes estudos mostram que o consumo de açúcar pelos mosquitos tem impacto no seu tempo de vida. No entanto, a forma como a diversidade de plantas influencia a capacidade de os mosquitos transmitirem a malária (agindo sobre as relações portador/ patogénico [agente que causa a doença]), manteve-se até então desconhecida.

 

A alimentação dos mosquitos vista à lupa

Neste estudo, os investigadores analisaram a alimentação do mosquito Anopheles coluzzii, um dos principais transmissores do Plasmodium falciparum na África subsariana. Estudaram o impacto das fontes naturais de açúcar, contidos em diferentes plantas, sobre a relação entre o mosquito e o parasita responsável pela transmissão da malária.

Em laboratório, os investigadores alimentaram os mosquitos com açúcares naturais de néctares de plantas ornamentais (Barleria lupilina e Thevetia neriifolia) e de frutas (manga e uva selvagem) colhidas em jardins e em parques da cidade de Bobo Dioulasso (Burkina Faso). No entanto, um grupo de mosquitos recebeu uma solução aquosa com 5% de glicose. Passadas 24 horas os mosquitos foram alimentados com sangue infectado pelo Plasmodium falciparum. Os investigadores continuaram a fornecer fontes de açúcar (flor, frutas ou solução de glicose) aos mosquitos durante 14 dias (tempo de desenvolvimento do parasita no mosquito).

 

Acção dos açúcares naturais sobre as relações entre mosquito e o parasita

As observações microscópicas combinadas com modelos epidemiológicos revelaram que o fornecimento de açúcares naturais influenciou significativamente no desenvolvimento do parasita, na fertilidade e longevidade do mosquito. Assim, os mosquitos alimentados com néctar T. neriifolia reduziram a sua capacidade de transmitir a malária em 30 %, enquanto que os alimentados com néctar L. microcarpa e com néctar B. lupilina aumentaram a capacidade de transmissão em 30 % e 40 %, respectivamente. 

 

Novas estratégias na luta contra a malária

O estudo mostra, pela primeira vez, que as fontes naturais de açúcares podem modular as relações portadores-patogênicos. Os mecanismos de acção ainda são desconhecidos, mas os investigadores sugerem que os compostos metabólitos secundários tóxicos para o parasita poderiam estar envolvidos. 

As investigações prosseguem sobre uma ampla gama de plantas, a fim de identificar espécies de plantas que podem impedir a transmissão do parasita. Os investigadores também perspectivam estudos adicionais relativos às preferências comportamentais dos mosquitos (saudáveis e infectados) para plantas com diferentes propriedades antiparasitárias. Estes resultados sugerem novas estratégias na luta contra a malária, como a plantação de espécies vegetais que afectem negativamente a capacidade transmissora dos mosquitos.

 

Artigo original publicado pelo CNRS (em françês):

http://www2.cnrs.fr/sites/communique/fichier/cp_nectar_fleurs_paludisme.pdf

 

Contactos

  • Investigadores 

Thierry Lefèvre 

Chercheur CNRS em accueil à l'IRD (BurkinaFaso)

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Tel: +226 72 82 83 55

 

Domonbabele Hien,

Doctorant à l'IRD et à l'IRSS (Burkina Faso)

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Tel: +226 71 90 38 70 

 

  • Service presse IRD

Cristelle Duos

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

T : 04 91 99 94 87

 

Para mais detalhes

D. Hien, K. R. Dabiré, B. Roche, A. Diabaté, S. R. Yerbanga, A. Cohuet, B. K. Yameogo, L-C. Gouagna, R. J. Hopkins, G. A. Ouadraogo, F. Simard, J-B Ouadraogo, R. Ignell, T. Lefèvre. Plant-mediated effects on mosquito capacity to transmit human malaria, PLOS Pathogens, 2016.

http://journals.plos.org/plospathogens/

DOI :10.1371/journal.ppat.1005773.s011

 

Parceiros implicados no estudo

  • Maladies infectieuses et vecteurs: écologie, génétique, évolution et contrôle (MIVEGEC, IRD/CNRS/Université de Montpellier)
  • Institut de recherche em sciences de la santé (IRSS, Bobo-Dioulasso, Burkina Faso)
  • Unité de modélisation mathématique et informatique de systèmes complexes (UMMISCO, IRD / Université Cadi Ayyad de Marrakech/ Université Cheikh Anta Diop de Dakar/ Université Gaston Berger de Saint-Louis (Sénégal)/ Université Pierre et Marie Curie - Paris 6/ Université de Yaoundé I/ Hanoi University of Science and Technology)
  • Université Polytechnique de Bobo Dioulasso (Burkina Faso)
  • Université de Greenwich (Angleterre)
  • Université desSciencesAgricoles d’Alnarp (Suède)

 

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