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Ciencia.ao - Itens filtrados por data: agosto 2018

Os Efeitos da Cocaína no Cérebro

Produzida em 1859, a cocaína tem como origem a planta Erythroxylum coca, um arbusto originária da Bolívia e do Perú (mas também cultivado em Java e Sri-Lanka), em cuja composição química se encontram os alcaloides Cocaína, Anamil e Truxillina (ou Cocamina).

As propriedades primárias da droga bloqueiam a condução de impulsos nas fibras nervosas, quando aplicada externamente, produzindo uma sensação de amortecimento e enregelamento. A droga é também vaso constritora, isto é, contrai os vasos sanguíneos inibindo hemorragias, além de funcionar como anestésico local, sendo este um dos seus consumos na medicina. Ingerida ou aspirada, a cocaína age sobre o sistema nervoso periférico, inibindo a reabsorção, pelos nervos, da norepinefrina (uma substância orgânica semelhante à adrenalina). Assim, ela potencializa os efeitos da estimulação dos nervos. A cocaína é também um estimulante do sistema nervoso central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas.

A quantidade necessária para provocar uma overdose varia de uma pessoa para outra, e a dose fatal vai de 0,2 a 1,5 grama de cocaína pura. A possibilidade de overdose, entretanto, é maior quando a droga é injectada directamente na corrente sanguínea. O efeito da cocaína pode levar a um aumento de excitabilidade, ansiedade, da pressão sanguínea, de náusea e até mesmo de alucinações. Um relatório norte-americano afirma que uma característica peculiar da psicose paranóica, resultante do abuso de cocaína, é um tipo de alucinação na qual formigas, insectos ou cobras imaginárias parecem estar a caminhar sobre ou sob a pele do cocainómano. Embora exista controvérsia, alguns afirmam que os únicos perigos médicos do consumo da cocaína são as reacções alérgicas fatais e a capacidade de a droga produzir forte dependência psicológica, mas não física. Por ser uma substância de efeito rápido e intenso, a cocaína estimula o consumidor a consumi-la seguidamente para fugir da profunda depressão que se segue após o seu efeito. A Coca-Cola, um dos refrigerantes mais populares, foi originalmente uma bebida feita com folhas de coca, e vendida como um "extraordinário agente terapêutico para todos os males, desde a melancolia até a insónia". Complicações legais, todavia, fizeram com que a partir de 1906 o refrigerante passasse a utilizar na sua fórmula folhas de coca descocainadas (Revista Planeta, Julho,1986).

 

Os malefícios da cocaína

A cocaína é a droga que mais rapidamente devasta o seu consumidor. Bastam alguns meses ou mesmo semanas para que ela cause um emagrecimento profundo, insónia, sangramento do nariz e coriza persistente, lesão da mucosa nasal e tecidos nasais, podendo inclusive causar perfuração do septo. Doses elevadas consumidas regularmente também causam palidez, suor frio, desmaios, convulsões e paragem respiratória. No cérebro, a cocaína afecta especialmente as áreas motoras, produzindo agitação intensa. A acção da cocaína no corpo é poderosa, porém, breve, durando cerca de meia hora, já que a droga é rapidamente metabolizada pelo organismo.Interagindo com os neurotransmissores, tornam imprecisas as mensagens entre os neurónios.

 

Função Normal da Dopamina no Cérebro

Sabe-se que neurotransmissores como a dopamina, noradrenalina e serotonina (esta última recentemente descoberta) são catecolaminas sintetizadas por certas células nervosas que agem em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, o prazer e a motivação. Depois de sintetizados, estes neurotransmissores são armazenados dentro de vesículas sinápticas. Quando surge um impulso eléctrico no terminal nervoso, as vesículas direccionam-se para a membrana do neurónio e libertam o conteúdo, por exemplo, da dopamina, na fenda sináptica. A dopamina atravessa, então, essa fenda e liga-se aos seus receptores específicos na membrana do próximo neurónio (neurónio pós-sináptico). Uma série de reacções ocorre quando a dopamina ocupa receptores dopaminérgicos daquele neurónio: alguns iões entram e saem do neurónio e algumas enzinas são libertadas ou inibidas. Após a dopamina se ter ligado ao receptor pós-sináptico, ela é capturada novamente por sítios transportadores de dopamina localizados no primeiro neurónio (neurónio pré-sináptico).
A recaptura dos neurotransmissores é um mecanismo fundamental para manter a homeostasia e permitir que os neurónios reajam rapidamente a novas exigências, já que o trabalho do cérebro é constante. 

 

A Entrada de Cocaína no Cérebro

Quando a cocaína entra no sistema de recompensa do cérebro, ela bloqueia os sítios transportadores dos neurotransmissores acima mencionados (dopamina, noradrenalina, serotonina), os quais têm a função de levar de volta estas substâncias  que estavam a agir na sinapse. Desta maneira, ela possibilita a oferta de um excesso de neurotransmissores no espaço inter-sináptico à disposição dos receptores pós-sinápticos, facto biológico cuja correlação psicológica é uma sensação de magnificência, euforia, prazer, excitação sexual. Por este motivo, denomina-se o consumo da cocaína "Sindrome de Popeye", numa analogia dessa droga com o espinafre do conhecido marinheiro das histórias em quadrinhos. Uma vez bloqueados estes sítios, a dopamina e outros neurotransmissores específicos não são recapturados, ficando portanto, "soltos" no cérebro até que a cocaína saia. Quando um novo impulso nervoso chega, mais neurotransmissor é libertado na sinapse, mas ele se acumula no cérebro pelos seus sítios recapturadores estarem bloqueados pela cocaína. Acredita-se que a presença anormalmente longa de dopamina no cérebro é que causa os efeitos de prazer associados ao consumo da cocaína. Quando imaginamos que ocorrem cerca de trilhões de trocas neuroquímicas por minuto, fica evidente que o preço pago por viver uma experiência de euforia é alto demais em relação às características que o indivíduo terá que confrontar. O consumo prolongado da cocaína pode fazer com que o cérebro se adapte a ela, de forma que ele começa a depender desta substância para funcionar normalmente, diminuindo os níveis de dopamina no neurónio. Se o indivíduo parar de consumir cocaína, já não existe dopamina suficiente nas sinapses e então ele experimenta o oposto do prazer – fadiga, depressão e humor alterado. 

 

Os Efeitos Euforizantes Causados pelo Consumo da Cocaína

Recentemente, cientistas investigaram os efeitos euforizantes da cocaína através de estudos de imagens cerebrais, utilizando a tomografia PET (Positron Emission Tomography), um sofisticado método que permite observar a função dos neurónios através do seu metabolismo, usando substâncias radioactivas. O trabalho foi publicado na Revista Nature.

Eles descobriram que a cocaína ocupa ou bloqueia os "sítios transportadores de dopamina" nas células cerebrais (conforme dito acima, dopamina é uma substância sintetizada pelas células nervosas que age em certas regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a motivação). Os "sítios transportadores de dopamina" levam a dopamina de volta para dentro de certos neurónios, após ela ter dado uma "passeada" pelo cérebro, promovendo os seus efeitos. Se a cocaína ocupar o mecanismo de transporte da dopamina, esta substância fica "solta" no cérebro até que a cocaína saia, e é justamente a presença anormalmente longa dela no cérebro que causa os efeitos eufóricos associados ao consumo da cocaína.   

Tanto a dopamina como outras substâncias aumentadas no cérebro podem produzir vasoconstrição e causar lesões. Estas lesões podem incluir hemorragias agudas e enfarto no cérebro (zona de morte celular, causada por falta de oxigénio), bem como necrose do miocárdio, podendo levar à morte súbita.

Grávidas que consumam cocaína podem afectar os seus fetos, levando-os ao nascimento com baixo peso ou risco de rompimento da placenta, e até lesões irreversíveis do cérebro, causando deficiências mentais e físicas. Em muitos países, os  "bebés da cocaína" são um sério problema de saúde pública, que se está a agravar com a ampla disponibilidade do  "crack".

 

Porque a Cocaína Vicia?

A dependência à cocaína resultadas suas propriedades psico-estimulantes e acção anestésica local. A dopamina é considerada importante no sistema de recompensa do cérebro, e o seu aumento pode ser responsável pelo grande potencial de dependência da cocaína.

Um estudo de PET, feito por cientistas da Johns Hopkins University e o National Institute on Drug Abuse (NIDA) nos EUA, concluiu que o vício pela cocaína está directamente relacionado com um aumento no cérebro dos receptores para substâncias opióides, como as endorfinas, que são naturais, e drogas de abuso, como a heroína e o ópio. Quanto maior a intensidade do vício, maior é o número de receptores. 

Quando os viciados em cocaína que foram testados no estudo ficavam um mês sem consumir a droga, em alguns deles o número de receptores voltava ao normal, mas em outros continuava alto. Pode haver uma correlação entre esse facto e a susceptibilidade de o consumidor de drogas voltar ao vício ou não. 

 

Autores:

Sílvia Helena Cardoso, PhD, é doutorada em Psicobiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorada pela Universidade da Califórnia em Los Angeles.
É investigadora associada do Núcleo de Informática Biomédica da UNICAMP e colaboradora da revista  "Saúde e Vida On Line" e editora chefe da revista Cérebro & Mente.

Renato M.E. Sabbatini, PhD, é doutorado em fisiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria, Munique.
É investigador e Director do Núcleo de Informática Biomédica da UNICAMP, colaborador das revistas  "Saúde e Vida On Line" e Cérebro & Mente, e do jornal  "Correio Popular".

 

Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n08/doencas/drugs/anim1.htm

 

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Malária: Novos Caminhos para a sua Erradicação

Há cada vez mais progressos no desenvolvimento de estudos para a erradicação da malária. Investigadores descobrem caminhos para estudar o metabolismo do plasmodium. A malária ainda continua a ser uma das principais causas de morte no mundo.

No estudo realizado, investigadores do Laboratório de Inovação e Aplicações Moleculares (CNRS/Université de Strasbourg/Université Haute-Alsace), do Instituto de Biologia Molecular e Celular (Université de Strasbourg, CNRS, Inserm), do Instituto Alemão Max Planck e do Laboratório de Estudos do Metabolismo de Medicamentos (CEA) desenvolveram mecanismos inovadores para o combate da malária.  

Nesta descoberta, os investigadores foram capazes de enriquecer uma molécula antimalária com composto de carbono 13 e sete dos seus metabolitos persistentes e criaram mecanismos moleculares que, analisado por espectroscopia de massa nos agentes da malária (parasitas), permitiram compreender o metabolismo do plasmodium in vitro e in vivo

 

Mais informação em: http://www.cnrs.fr/inc/communication/direct_labos/davioud4.htm

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MESCTI Organiza 2º Conselho Nacional do Ensino Superior

O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) realiza no dia 06 de Agosto do corrente ano, pelas 08H00, no Hotel de Convenções de Talatona, a 2ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional do Ensino Superior. O Conselho tem como objectivo analisar as principais questões relativas ao desenvolvimento do Ensino Superior.

A 2ª Reunião do Conselho Nacional sobre o Ensino Superior tem a seguinte ordem de trabalhos:

  1. Informações
    • Estatuto da carreira docente do Ensino Superior;
    • Implementação das Normas Curriculares Gerais;
    • Programas da SADC com envolvimento do MESCTI;
    • Projecto do Ensino Superior financiado pela União Europeia.
  2. Apresentação e debate sobre projectos de diplomas legais
    • Regimento do Conselho Nacional do Ensino Superior (CNES);
    • Regulamento Geral de Ingresso no Ensino Superior;
    • Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (revogação do Decreto 90/09);
    • Regulamento Geral Eleitoral;
    • Regulamento de Avaliação do Desempenho Docente.

 

Local: Hotel do Convenções do Talatona Endereço: Talatona - Luanda

Previsão para Encerramento: 17h00

Contactos

Telefone:222039481 | Correio electrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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MESCTI Organiza 2º Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) realiza no dia 07 de Agosto do corrente ano, pelas 08H00, no Hotel de Convenções de Talatona, a 2ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI). O Conselho tem como objectivo analisar as políticas e programas de fomento e promoção da investigação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação.

A 2ª Reunião do CNCTI tem a seguinte ordem de trabalhos:

  1. Apresentação do Regimento do CNCTI
  2. Informações
    • Estatuto da Carreira do Investigador Científico;
    • Estatuto da Carreira do Pessoal Pessoal Técnico de Apoio à Investigação Científica e Docência Universitária;
    • Estatuto do FUNDECIT;
    • Cooperação Científica e Tecnológica;
      • Iniciativa SASSCAL;
      • Cooperação bilateral "Angola/África do Sul" em CTI;
      • Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (Financiamento BAD);
      • Programas da SADC com Envolvimento do MESCTI.
    • Realização do 3º Inquérito de Ciência, Tecnologia e Inovação;
    • Convenção da Proibição de Armas Químicas e ANCAD.
  3. Gestão de Recursos Humanos
  4. Promoção das Boas Práticas na Condução de Actividades de Investigação Científica, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
  5. Apresentação da proposta do Código de Conduta, Ética e Responsabilidade na condução de actividades de I&D+I
  6. Promoção da Criação da Academia de Ciências de Angola
  7. Considerações Finais e Encerramento

 

Local: Hotel do Convenções do Talatona Endereço: Talatona - Luanda

Previsão para Encerramento: 15h00

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Angola participa no Fórum Ministerial sobre Inovação e Inclusão Digital na Educação “MENA INNOVATION 2018”

NOTA DE IMPRENSA

 

ANGOLA PARTICIPA NO FÓRUM MINISTERIAL SOBRE INOVAÇÃO E INCLUSÃO DIGITAL NA EDUCAÇÃO “MENA INNOVATION 2018”

Angola participou, a convite das autoridades do Egipto, no Fórum Ministerial sobre Inovação e Inclusão Digital na Educação “MENA Innovation 2018”, evento que decorreu no Cairo/Egipto de 29 a 31 de Julho do ano em curso. A delegação angolana liderada pelo Secretário de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Prof. Doutor Domingos da Silva Neto, em representação da Ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Prof. Doutora Maria do Rosário Bragança Sambo, integrou o Embaixador de Angola no Egipto, António da Costa Fernandes e quadros seniores e intermédios deste Departamento Ministerial e do Ministério da Educação, com destaque para os Directores Nacionais dos Gabinetes de Tecnologias de Informação dos dois Ministérios.

No segundo dia, 30 de Julho, Angola, através do Secretário de Estado Domingos Neto, interveio na sessão dedicada à “Inovação no Ensino Superior e Investimentos em Universidades Inteligentes”, tendo destacado na sua intervenção os principais desafios para a inovação no Subsistema do Ensino Superior em Angola. Enfatizou, que o Governo de Angola, através do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, trabalha no sentido de se encurtar a distância entre as Instituições de Ensino Superior e o empresariado, tendo ressaltado a necessidade de se estabelecerem acções que vão permitir os estudantes finalistas realizarem estágios profissionais e de iniciação à investigação científica no ambiente empresarial, a realização de projectos de investigação científica que vão de encontro aos problemas das empresas, tendo destacado que em Setembro deste ano será levado a cabo o primeiro Workshop intitulado a “A Ciência, Tecnologia e Inovação e a Agenda Empresarial”.

Mais adiante, no que concerne ao desenvolvimento de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento digital destacou a necessidade de se reforçar a digitalização de serviços, de acesso livre à Internet para estudantes e docentes, assim como a de criação de uma rede de partilha de informações e dados entre instituições de ensino superior como uma tarefa que urge ser levada a cabo.

Durante a sessão do dia 31 de Julho a delegação angolana interagiu com outras delegações presentes e estabeleceu contactos atinentes à inovação e ao desenvolvimento digital de todo sistema educacional em Angola.

 

MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO, em Luanda, aos 04 de Agosto de 2018.

 

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Conheça o livro "Climate change and adaptive land management in Southern Africa".

Este livro Climate change and adaptive land management in South Africa fornece uma colecção abrangente de resultados de investigação científica, infra-estrutura de dados, ferramentas e resultados de capacitação do portfólio de investigação do SASSCAL 1.0. Este livro também significa uma entrada no futuro em que o SASSCAL apoiou a investigação científica contínua, inabalável e ancorada pelo estabelecimento do SASSCAL como instituição e sucessos do portfólio SASSCAL 1.0 em termos de produtos de investigação, serviços e infra-estrutura de pesquisa. Além disso, várias parcerias estratégicas criadas na região e no exterior posicionam o SASSCAL como uma instituição sustentável que garantirá a disponibilidade de conhecimento e dados a longo prazo; A hospedagem de dados de longo prazo é uma base fundamental para detectar e entender as mudanças ao longo do tempo e do espaço.

Para mais informação sobre o livro, consulte: http://www.biodiversity-plants.de/biodivers_ecol/vol6.php#Climate

 

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